segunda-feira, 19 de julho de 2010

Noite


E no escuro daquele quarto com paredes infinitas ela estica o braço para tocar aquele rosto tão familiar mas ao mesmo tempo às vezes tão desconhecido.
No silêncio da noite só existem os seus carinhos.
O mundo parou para que ele se deliciasse com as mão macias que ela usa para afagar seu rosto e a sua barba mal feita de sempre.
Ele se vira para ela e a beija.
Com lábios de saudade, com a força de quem tenta expressar seu amor.
Os cabelos recebem o cafuné mais delicioso que alguém já pode ter experimentado.
Do rosto passa para o cabelo, do cabelo a mão naturalmente desliza para suas costas.
As costas recebem aquelas mãos divinas em movimentos especialmente relaxantes e excitantes.
Difícil dizer qual é a real intenção. As sensações se misturam e intercalam.
Ela se realiza ao ouvir o barulho do sorriso dele.
Sim, sorrisos têm som, quando observados entre quatro paredes, no mais absoluto silêncio das madrugadas.
E pra eles qualquer lugar servia de abrigo. Já que o abrigo propriamente dito é o braço do outro se cruzando nas costas, num quase abraço de urso, não fossem braços tão curtos.


Não importa onde, importa quem.
Não importa quando, importa o quê.
;)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A vida é feita de escolhas...



E o amor é uma delas.

Acredito piamente que a vida de cada um de nós é composta por uma sucessão ininterrupta de escolhas. Fazemos escolhas todo tempo, desde as mais simples e “automáticas”, até as mais complexas, elaboradas e planejadas. Quanto mais maduros e conscientes nos tornamos, melhores e mais acertadas são as nossas escolhas.

Assim também é com o amor. Podemos escolher entre amar e não amar. Afinal de contas, o amor é um risco, um grande e incontrolável risco. Incontrolável porque jamais poderemos obter garantias ou certezas em relação ao que sentimos e muito menos ao que sentem por nós. E grande porque o amor é um sentimento intenso, profundo e, portanto, o risco de sofrermos se torna obviamente maior!

Por isso mesmo, admiro e procuro aprender, a cada dia, com os corajosos, aqueles que se arriscam a amar e apostam o melhor de si num relacionamento, apesar das possíveis perdas. Descubro que o amor é um dom que deve vir acompanhado de coragem, determinação e ética.

Não basta desejarmos estar ao lado de alguém, precisamos merecer. Precisamos exercitar nossa honestidade e superar nossos instintos mais primitivos. É num relacionamento íntimo e baseado num sentimento tão complexo quanto o amor que temos a oportunidade de averiguar nossa maturidade.

Quanto conseguimos ser verdadeiros com o outro e com a gente mesmo sem desrespeitar a pessoa amada? Quanto conseguimos nos colocar no lugar dela e perceber a dimensão da sua dor? Quanto somos capazes de resistir aos nossos impulsos em nome de algo superior, mais importante e mais maduro?

Amar é, definitivamente, uma escolha que pede responsabilidade. É verdade que todos nós cometemos erros. Mas quando o amor é o elo que une duas pessoas, independentemente de compatibilidade sanguínea, família ou obrigações sociais, é preciso tomar muito cuidado, levar muito o outro em conta para evitar estragos permanentes, quebras dolorosas demais.

O fato é que todos nós nos questionamos, em muitos momentos, se realmente vale a pena correr tantos riscos. Sim, porque toda pessoa que ama corre o risco de perder a pessoa amada, de não ser correspondida, de ser traída, de ser enganada, enfim, de sofrer mais do que imagina que poderia suportar. Então, apenas os fortes escolhem amar!

Não são os medos que mudam, mas as atitudes que cada um toma perante os medos. Novamente voltamos ao ponto: a vida é feita de escolhas. Todos nós podemos mentir, trair, enganar e ferir o outro. Mas também todos nós podemos não mentir, não trair, não enganar e não ferir o outro.

Cada qual com o seu melhor, nas suas possibilidades e na sua maturidade, consciente ou não de seus objetivos, faz as suas próprias escolhas. E depois, arca com as inevitáveis conseqüências destas.

Sugiro que você se empenhe em ser forte a fim de poder usufruir os ganhos do amor e, sobretudo, evitar as dolorosas perdas. Mas se perceber que ainda não está pronto, seja honesto, seja humilde e ao invés de jogar no chão um coração que está em suas mãos, apenas deixe-o, apenas admita que não está conseguindo retribuir, compartilhar…

E então você, talvez, consiga compreender de fato a frase escrita por Antoine de Saint Exupéry, em seu best seller O Pequeno Príncipe: “Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa”.

Porque muito mais difícil do que ficar ao lado de alguém para sempre é ficar por inteiro, é fazer com que seja absolutamente verdadeiro… ou então partir, inteira e verdadeiramente também! E é exatamente isso que significa sermos responsáveis por aquilo que cativamos…

Rosana Braga

segunda-feira, 5 de julho de 2010

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Saudade.
Saudade de quê?
Saudade de quem?
Saudade?
O que é saudade?
Pra que serve a saudade?
Do que temos saudade?
Saudade da felicidade?
Saudade da liberdade?
Ou será só saudade?
Pura e simples saudade?
Saudade e felicidade
qual semelhança além da sonoridade?
Na realidade a saudade é só saudade.
Saudade não tem idade
Saudade não tem motivos óbvios
Mas a saudade é a pior parte da realidade.
A saudade é aquele lugar que você não pode fazer nada.
Além de lembrar.
Mas afinal, onde é que as lembranças nos levam?
A momentos felizes?
Então saudade é sinônimo de felicidade?
Felicidade no passado?
Mas quem é que vive se alimentando do passado?
E o que fazer quando a saudade é saudade de alguém que não tem saudade de você?
Como faz pra matar a saudade quando é assim?
Não mata?
Morre?


(There is always hope)